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| Foto: Codecom |
A cenografia reconstrói logradouros históricos como o Beco da 31, o Beco da Pororoca e o Beco Quebra Quilos, que remetem à presença e à resistência da população negra na primeira metade do século XX. O historiador Igor Furtado explica que analisar esses espaços exige "reparar aquilo que o objeto de pesquisa nos diz e o que não está dito no objeto de pesquisa", apontando para os processos de exclusão e higienismo que removeram as populações mais pobres do centro para as periferias. Entre os destaques está a Revolta de Quebra Quilos, de 1874, liderada por João Cargas D'água, um carregador de água negro e filho de escravizados que dá nome a um dos becos.
No âmbito artístico, a programação ocupa a Pirâmide, a Vila do Artesão e o Quadrilhódromo com o intercâmbio de grupos de dança de várias regiões do país. Entre as atrações locais, a quadrilha Moleka 100 Vergonha, campeã estadual, apresenta o espetáculo "Santin, A Prece" antes de representar a Paraíba no Campeonato Brasileiro da Confebraq, no Pará. O diretor artístico do grupo, Marcelo Júnior, ressalta que "subir à Pirâmide do Parque do Povo, o maior palco do São João do mundo, é celebrar cada conquista ao lado do povo".
O encerramento dos festejos ocorre no sábado com a realização de um cortejo cultural que partirá do Obelisco a partir das 18h, reunindo grupos tradicionais como Raízes, Caetés, Tropeiros da Borborema, Arius, Acauã da Serra e Cabroar. A iniciativa consolida o papel do evento na salvaguarda do patrimônio imaterial do Nordeste, integrando a memória documental das antigas ruas com a prática viva das danças populares.
