Turismo fora de temporada impulsiona crescimento sustentável no Sul da Europa

Imagem de Evgeny Ignatik por Pixabay

O turismo fora de temporada na Europa está sendo reconfigurado como uma base estratégica para o crescimento sustentável. Uma análise da Data Appeal Mabria, apresentada no Seasonality Summit 2026, define os períodos intermediários não como lacunas, mas como "alicerces" para a resiliência do setor. O objetivo das regiões do sul é distribuir o número de visitantes de forma equilibrada ao longo do calendário, reduzindo a pressão sobre as cidades durante os picos de calor e multidões. Com essa mudança, a "renda se espalha além de apenas alguns meses quentes", permitindo uma gestão econômica mais estável e previsível.

A Espanha lidera a transição entre as nações do sul, com pouco mais da metade das chegadas ocorrendo entre maio e setembro. Portugal segue com aproximadamente 54%, enquanto a Itália registra quase 59% de concentração no verão. Em contraste, Grécia e Croácia ainda dependem fortemente do período estival, com participações superiores a 72%. No entanto, tendências recentes indicam que a Grécia começa a estender seu apelo para os meses de baixa temporada, sinalizando o início de uma mudança nas preferências dos viajantes e na eficácia das campanhas de nudging.

A oferta de voos e a realização de eventos corporativos e culturais sustentam a demanda nos meses mais calmos. Entre outubro e dezembro de 2026, as companhias aéreas devem disponibilizar cerca de 96,64 milhões de assentos, um aumento de 4,6% em relação a 2025. A Grécia prevê um salto de 10,7% na conectividade, seguida pela Espanha com 5,4% e Itália com 4,2%. Portugal, por outro lado, estima uma leve queda de 2,5%. Dados indicam que entre 53% e 72% das atividades ocorrem fora da alta temporada, o que ajuda a equilibrar os padrões anuais de visitação.

O setor hoteleiro adapta-se a novos perfis de hóspedes, como casais de regiões vizinhas e trabalhadores remotos, para manter a rentabilidade no inverno. As tarifas de hospedagem em 2026 apresentaram reduções significativas em comparação ao verão anterior, com quedas de até 30% em hotéis de luxo e 25% em estabelecimentos de três estrelas. Aliado ao clima ameno e à oferta de gastronomia e atividades ao ar livre, o custo reduzido torna as viagens fora do pico mais atrativas. Esse cenário permite que os negócios permaneçam rentáveis por meio de um planejamento focado nos meses de menor demanda.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem