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| Jane Terra e Julienne Gananian no TurisMall / Foto: Fabiano Vidal |
Gananian defendeu uma reconfiguração do papel do agente de viagens no cenĂĄrio atual. Para ela, esse profissional deve assumir a função de curador: "entender as necessidades de seu consumidor e buscar oferecer o melhor para ele". A afirmação sintetiza uma mudança de postura que, segundo a executiva, Ă© indispensĂĄvel para a sobrevivĂȘncia e o crescimento das agĂȘncias no mercado contemporĂąneo.
Na prĂĄtica, essa curadoria exige atenção ao perfil do cliente. Gananian citou como exemplo a oferta de shows nos Estados Unidos: "existem Ăłtimos shows que nada significam para quem Ă© brasileiro, e pode gerar frustração ao invĂ©s de uma experiĂȘncia memorĂĄvel". A escolha equivocada de uma atração, por mais consagrada que seja internacionalmente, pode comprometer toda a experiĂȘncia do viajante.
A executiva tambĂ©m alertou para a importĂąncia de orientar o consumidor a adquirir ingressos de atraçÔes e shows ainda no Brasil, evitando filas, transtornos ou a impossibilidade de obtĂȘ-los em solo americano. Outro ponto destacado foi a relação do agente com o consumidor digital: embora o viajante contemporĂąneo chegue Ă s agĂȘncias apĂłs pesquisas em plataformas de internet e ferramentas de inteligĂȘncia artificial como o ChatGPT, Ă© o agente de viagens quem "transmite segurança e tranquilidade na resolução de problemas", jĂĄ que roteiros gerados por IAs podem carecer de experiĂȘncia humana e de particularidades que sĂł um profissional especializado Ă© capaz de identificar.
Jane Terra apresentou o turismo esportivo como um segmento em expansĂŁo para o mercado brasileiro. Com trajetĂłria que inclui cerca de dez anos como diretora de vendas e marketing da Visit Orlando no Brasil e passagens pelo SeaWorld Parks, ela demonstrou como franquias esportivas americanas podem estruturar roteiros completos, combinando ingressos para jogos, experiĂȘncias de hospitalidade nos estĂĄdios e atividades culturais nas cidades-sede. A proposta Ă© transformar o interesse por times e competiçÔes em um produto turĂstico concreto e comercializĂĄvel pelas agĂȘncias.
A palestra abordou ainda estratĂ©gias para que agĂȘncias se credenciem nesse nicho, com atenção ao perfil do viajante esportivo e Ă s janelas do calendĂĄrio mais favorĂĄveis Ă comercialização. Terra sintetizou a tendĂȘncia ao afirmar que o viajante do futuro "nĂŁo quer apenas visitar um destino — ele quer vivĂȘ-lo de dentro de uma arena", reforçando que a integração entre esporte e turismo de experiĂȘncia Ă© uma oportunidade que o setor nĂŁo pode ignorar.
