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| Foto: Nikolaos D. Nomikos / Pexels |
Após anos de medidas de austeridade e de reformas nos mercados de trabalho e de produtos, o turismo e os serviços relacionados ganharam peso na economia. A produtividade total dos fatores caiu 16% entre 2009 e 2024, em comparação com o período pré-crise, e não retornou aos níveis anteriores. No mesmo intervalo, os salários recuaram entre 26% e 35%, com queda de 60% no setor de turismo. Os autores atribuem quase um terço da redução da produtividade ao deslocamento para os setores de hospedagem e alimentação. O estudo também sugere que os credores internacionais subestimaram o impacto negativo da austeridade fiscal, e que os resgates e as reformas não produziram o efeito esperado.
Entre 2009 e 2023, o número de empregados cresceu 87% no setor de hospitalidade e 61% no de hospedagem, enquanto o valor adicionado bruto desses setores aumentou apenas 11%. Hotéis, bares e restaurantes são hoje as maiores fontes de emprego do país, e parte desse crescimento se explica pelo custo baixo da mão de obra. O estudo também destaca que a exportação de serviços de viagens e turismo explica quase 50% da redução do déficit em conta corrente entre 2009 e 2023. Por outro lado, o crescimento do setor agrava a escassez de moradias acessíveis e pressiona o meio ambiente, os habitats naturais e as culturas locais, o que torna o país vulnerável ao "overtourism" (turismo excessivo).
Para os autores, depender de setores de baixa produtividade para sustentar a demanda e o balanço de pagamentos é uma medida de curto prazo, com custo elevado. Os salários baixos também reduzem o incentivo a investimentos em tecnologia, o que limita as perspectivas de crescimento de longo prazo. O estudo defende uma mudança na política econômica grega, com foco em produtividade, geração de empregos qualificados e distribuição mais equilibrada dos benefícios do crescimento.
