Pesquisador da NYU questiona conceito de "excesso de turismo" em grandes metrópoles


Alon Levy, pesquisador associado no programa de Transporte e Uso do Solo do Instituto Marron da Universidade de Nova York, publica análise que contesta a noção de que cidades sofrem prejuízos pela quantidade de visitantes. Com formação em matemática e trajetória que o levou a investigar redes de transporte público e planejamento urbano em metrópoles globais, Levy apresenta perspectiva comparativa sobre como o turismo funciona em diferentes contextos urbanos. Sua experiência em cidades como Tel Aviv, Singapura, Paris, Nova York, Vancouver e Berlim fundamenta a argumentação de que o fluxo turístico é um reflexo de centros urbanos que já funcionam bem para seus próprios moradores.

No artigo publicado originalmente no portal Pedestrian Observations, Levy argumenta que quando há problemas em destinos turísticos, estes residem na dependência de um único setor econômico e não no número absoluto de visitantes. Os maiores polos de atração global demonstram essa dinâmica. Conforme dados da Euromonitor, Bangkok lidera com 30 milhões de chegadas em 2025, seguida por Hong Kong, Londres e Macau. Das dez cidades mais visitadas, sete são grandes metrópoles com economias robustas. Apenas Macau e Antália possuem economias dominadas exclusivamente pelo turismo. Levy observa que "os maiores polos globais de atração turística são também cidades com várias outras atividades econômicas, como Londres e Paris".

A infraestrutura cultural e institucional desses centros foi construída originalmente para servir aos residentes locais. Museus, centros culturais e espaços de entretenimento em cidades como Nova York e Berlim existem porque a economia interna gerou riqueza suficiente para sua criação. O pesquisador ressalta que "os redutos culturais alternativos são primeiro construídos para os moradores locais antes que os turistas saibam da sua existência". As funções urbanas essenciais não são deslocadas, mas complementadas pelo interesse estrangeiro. Barcelona exemplifica essa coexistência entre base industrial e turismo, integrando o grupo dos "Quatro Motores para a Europa" pela produção automobilística.

Para regiões com economia baseada quase integralmente no turismo, como Phuket ou Antália, os indicadores econômicos não refletem necessariamente declínio. Phuket registrou o maior Índice de Desenvolvimento Humano da Tailândia no início deste século e continua entre as províncias mais ricas per capita. A Flórida, embora não seja a região com maiores oportunidades nos EUA, apresenta condições superiores a regiões vizinhas sem volume equivalente de visitantes. Levy associa a questão à "maldição dos recursos", teoria que relaciona a dependência de ativos naturais ao subdesenvolvimento.

O pesquisador aplica essa lógica ao turismo: regiões que parecem prejudicadas não enfrentam "excesso de turismo", mas sim "escassez de economia em geral". A perspectiva de Levy sobre planejamento urbano e transporte público, desenvolvida ao longo de anos investigando as melhores práticas de cidades ao redor do mundo, sustenta sua conclusão. Quando uma área possui apenas o turismo como motor econômico, o problema reside na falta de diversificação produtiva e não na quantidade de pessoas que chegam.

Com sua trajetória focada em como aplicar as melhores práticas urbanas globais, Levy conclui que cidades bem-estruturadas com múltiplas atividades mantêm suas funções essenciais intactas, mesmo com alto fluxo de visitantes. O turismo em si não prejudica quando acompanhado de economia diversificada e infraestrutura urbana robusta para servir tanto moradores quanto visitantes.

Para ler o artigo na íntegra em português, clique aqui.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

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