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| Dubai / Foto de JESHOOTS.com / Pexels |
A queda no fluxo de visitantes foi imediata. Praias, cafés à beira-mar e pontos turísticos como o Burj Khalifa passaram a operar com movimento reduzido. O WTTC estima perdas de aproximadamente US$ 600 milhões por dia em todo o Oriente Médio, com projeção de queda entre 23 e 38 milhões de visitantes até o final do ano e prejuízos que podem atingir US$ 56 bilhões. Hotéis passaram a registrar apenas um em cada cinco quartos preenchidos: o FIVE Palm Jumeirah reduziu diárias de mais de AED 1.000 (cerca de US$ 272) para cerca de AED 349 (aproximadamente US$ 95), enquanto Taj Jumeirah Lakes Towers e Shangri-La Dubai passaram a praticar entre 7.000 e 14.000 rúpias indianas por noite. Atrações como Aquaventure Waterpark, Aquário Lost Chambers e Dubai Miracle Garden adotaram preços reduzidos para moradores locais, reproduzindo a estratégia utilizada durante a pandemia de COVID-19.
O conflito também comprometeu o abastecimento de combustível de aviação. Com o tráfego pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima — praticamente paralisado, instalações no Kuwait, na Arábia Saudita e em países vizinhos tiveram o fornecimento afetado. A refinaria Al-Zour, responsável por pelo menos um décimo do combustível dos aeroportos europeus nos períodos de pico, foi diretamente impactada. O preço por tonelada no noroeste da Europa saltou de cerca de US$ 830 para mais de US$ 1.500 em poucos dias — patamar não registrado desde 2022. Em Singapura, a alta foi de pelo menos 70%. Nos Estados Unidos, valores próximos a US$ 3,88 e US$ 4 por galão foram registrados.
A Wizz Air revisou projeções com impacto estimado em 50 milhões de euros nos lucros anuais até 2026. O CEO da United Airlines, Scott Kirby, alertou para aumento iminente nas tarifas. James Noel-Beswick, da Sparta Commodities, advertiu que o combustível pode se esgotar antes do esperado, com risco de cancelamentos antes da alta temporada de verão. EasyJet e Ryanair relataram operações mais estáveis graças a operações de hedge antecipadas — a Fitch aponta cobertura de 50% a 80% como prática comum entre empresas da região. O CEO da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou que os preços das passagens permanecem inalterados "por enquanto." Com os conflitos sem solução, o mercado aguarda sinais de calmaria ou novos canais de abastecimento que indiquem o início da recuperação.
