Ataques iranianos derrubam turismo em Dubai e disparam preços do combustível de aviação

Dubai / Foto de JESHOOTS.com / Pexels

Dubai encerrou 2025 no auge: mais de 95 milhões de chegadas pelo aeroporto internacional, cerca de 20 milhões de visitantes pelo terceiro ano consecutivo de recordes e um setor que respondia por aproximadamente 13% da produção econômica nacional, sustentando cerca de 925 mil empregos. Em 28 de fevereiro de 2026, o Irã lançou mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos em resposta a ataques de forças americanas e israelenses contra instalações iranianas. Dubai foi atingida repetidamente: destroços danificaram hotéis na Palm Jumeirah e no entorno do Dubai Creek, incêndios irromperam em bairros importantes e o espaço aéreo foi fechado temporariamente, com cancelamentos e mudanças de rota por grandes companhias aéreas.

A queda no fluxo de visitantes foi imediata. Praias, cafés à beira-mar e pontos turísticos como o Burj Khalifa passaram a operar com movimento reduzido. O WTTC estima perdas de aproximadamente US$ 600 milhões por dia em todo o Oriente Médio, com projeção de queda entre 23 e 38 milhões de visitantes até o final do ano e prejuízos que podem atingir US$ 56 bilhões. Hotéis passaram a registrar apenas um em cada cinco quartos preenchidos: o FIVE Palm Jumeirah reduziu diárias de mais de AED 1.000 (cerca de US$ 272) para cerca de AED 349 (aproximadamente US$ 95), enquanto Taj Jumeirah Lakes Towers e Shangri-La Dubai passaram a praticar entre 7.000 e 14.000 rúpias indianas por noite. Atrações como Aquaventure Waterpark, Aquário Lost Chambers e Dubai Miracle Garden adotaram preços reduzidos para moradores locais, reproduzindo a estratégia utilizada durante a pandemia de COVID-19.

O conflito também comprometeu o abastecimento de combustível de aviação. Com o tráfego pelo Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima — praticamente paralisado, instalações no Kuwait, na Arábia Saudita e em países vizinhos tiveram o fornecimento afetado. A refinaria Al-Zour, responsável por pelo menos um décimo do combustível dos aeroportos europeus nos períodos de pico, foi diretamente impactada. O preço por tonelada no noroeste da Europa saltou de cerca de US$ 830 para mais de US$ 1.500 em poucos dias — patamar não registrado desde 2022. Em Singapura, a alta foi de pelo menos 70%. Nos Estados Unidos, valores próximos a US$ 3,88 e US$ 4 por galão foram registrados.

A Wizz Air revisou projeções com impacto estimado em 50 milhões de euros nos lucros anuais até 2026. O CEO da United Airlines, Scott Kirby, alertou para aumento iminente nas tarifas. James Noel-Beswick, da Sparta Commodities, advertiu que o combustível pode se esgotar antes do esperado, com risco de cancelamentos antes da alta temporada de verão. EasyJet e Ryanair relataram operações mais estáveis graças a operações de hedge antecipadas — a Fitch aponta cobertura de 50% a 80% como prática comum entre empresas da região. O CEO da Ryanair, Michael O'Leary, afirmou que os preços das passagens permanecem inalterados "por enquanto." Com os conflitos sem solução, o mercado aguarda sinais de calmaria ou novos canais de abastecimento que indiquem o início da recuperação.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

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