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| Turistas sofrem com aumento de taxas / Imagem gerada por IA. |
O discurso oficial é sempre parecido: controlar o excesso de turistas, financiar infraestrutura urbana e proteger patrimônios históricos e naturais. A receita arrecadada deve custear desde a limpeza de ruas até projetos de conservação ambiental. Mas especialistas do setor questionam a efetividade real dessas medidas. Taxas altas, como a do Butão, claramente reduzem o número de visitantes e atraem um perfil específico de turista com maior poder aquisitivo. Já cobranças moderadas podem não desestimular ninguém. O risco é apenas deslocar o problema: turistas que desistem de Veneza podem ir para Florença ou Verona, transferindo a pressão para outras cidades históricas. A superlotação dos centros turísticos continua, só muda de endereço. Pequenos comerciantes temem perder receita. Moradores reclamam da invasão diária que transforma seus bairros em cenários de parque temático. O equilíbrio entre preservação e economia ainda não foi encontrado.
Além das taxas locais, sistemas eletrônicos de autorização de viagem aumentam significativamente os custos. O ESTA americano, autorização obrigatória para brasileiros que visitam os Estados Unidos sem visto, dobrou de preço no final de setembro de 2025 e agora custa 40 dólares. O Reino Unido implementou o ETA, sigla para Electronic Travel Authorization, uma autorização eletrônica de viagem que funciona como um pré-visto digital. Brasileiros precisam solicitar o ETA antes de embarcar para o Reino Unido, e o custo subiu de 10 para 16 libras esterlinas. A União Europeia planeja lançar até o final de 2026 o ETIAS, sigla para European Travel Information and Authorization System, um sistema de informação e autorização de viagem que funcionará de forma semelhante ao ESTA americano. Brasileiros precisarão solicitar essa autorização antes de viajar para países do espaço Schengen, com valores estimados entre 7 e 20 euros. Esses sistemas exigem planejamento antecipado, cadastro online e representam despesas que simplesmente não existiam há poucos anos.
O turismo internacional enfrenta um paradoxo difícil de resolver. Destinos dependem economicamente dos visitantes, mas sofrem com o volume excessivo que degrada a experiência de moradores e turistas. As taxas aparecem como solução técnica, mas geram efeitos colaterais imprevisíveis. Podem afastar justamente os turistas de classe média que sustentam boa parte da economia local, concentrando o turismo apenas em quem pode pagar mais. Nova Zelândia cobra taxa de visitante. Japão tem imposto de saída do país. Nações caribenhas cobram taxas de entrada. Regiões montanhosas como os Dolomitas, na Itália, e o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile, adicionaram cobranças específicas para acesso a trilhas e atrações naturais. O que está claro é que viajar em 2026 exige orçamento maior, pesquisa detalhada e atenção redobrada aos custos escondidos que aparecem muito antes do embarque. O turismo está se tornando mais caro e mais burocrático.
