Setor de turismo dos Estados Unidos foca em canais de venda para superar entraves de vistos após a Copa do Mundo

Foto gerada por IA.

A realização da Copa do Mundo de Futebol nos Estados Unidos não resultou na recuperação imediata do volume de turistas internacionais esperada pelo setor de viagens. Dados divulgados pela U.S. Travel Association indicam que, até o mês de junho, a chegada de visitantes estrangeiros registrou uma queda de 4,3% no acumulado do ano. Em junho, a retração foi de 1,8% na comparação anual, após uma redução de 6,5% registrada em maio, evidenciando a dificuldade de converter a visibilidade do evento esportivo em reservas efetivas.

Para mitigar o cenário de retração, a Brand USA lançou, no dia 24 de agosto, uma plataforma digital corporativa reestruturada para facilitar o acesso de parceiros comerciais a programas internacionais, pesquisas e dados econômicos. A organização, que atua na conexão de empresas locais com a distribuição internacional, estima que suas ações ao longo de 13 anos geraram 11,3 milhões de visitantes adicionais, movimentando $38,1 bilhões em gastos e gerando um impacto econômico total de $82,9 bilhões. A expectativa é que o total de visitantes internacionais em 2026 alcance 70,6 milhões, número ainda abaixo dos 79 milhões registrados em 2019, patamar que a associação projeta recuperar apenas em 2029.

O panorama comercial do turismo estadunidense enfrenta pressões decorrentes de novas diretrizes de imigração. O governo prepara uma revogação em massa de vistos B1/B2, voltada a cidadãos estrangeiros que ingressaram com vistos temporários de negócios ou turismo e posteriormente solicitaram asilo, medida que pode afetar até 200 mil pessoas. Outro fator de impacto é a expansão do programa de depósitos de garantia para vistos, que pode exigir taxas reembolsáveis de até $20.000 de solicitantes de nações selecionadas. O presidente e CEO da U.S. Travel, Geoff Freeman, alertou sobre os efeitos dessas exigências no fluxo de viajantes, visto que as viagens de canadenses apresentam queda de 25% e as de asiáticos permanecem em metade do nível de 2019.

O setor turístico opera sob uma dualidade entre os esforços promocionais e o endurecimento das políticas de fronteira. Em 2025, o déficit comercial do turismo no país atingiu $72 bilhões, e a projeção para este ano indica um crescimento de apenas 1,6% nos gastos de visitantes internacionais, totalizando $178 bilhões. O mercado aposta agora em eventos futuros, como o aniversário de 250 anos da nação e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, para tentar acelerar a retomada do setor.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

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