Inteligência artificial inaugura nova etapa na disputa por controle das reservas de viagem

Imagem gerada por IA.

O turismo vive uma mudança estrutural com o avanço do agentic commerce, modelo no qual agentes de inteligência artificial passam a executar ações de forma autônoma durante o processo de compra. Diferentemente de assistentes que apenas respondem perguntas, esses sistemas conduzem etapas completas: pesquisam opções, avaliam critérios, checam regras, organizam combinações possíveis e concluem reservas. Essa nova camada tecnológica altera o funcionamento do comércio eletrônico de viagens e reposiciona como empresas competem pela atenção do consumidor.

O agentic commerce não elimina os modelos de distribuição existentes, mas cria um fluxo adicional entre viajantes e fornecedores. Com esses agentes assumindo tarefas que demandam tempo — como comparar preços, verificar condições de reembolso e confirmar detalhes operacionais — o foco competitivo se desloca. Ganha importância quem controla as plataformas que alimentam essas decisões automatizadas e que determinam quais alternativas serão exibidas e acionadas pelos sistemas inteligentes.

Nesse contexto, o Google surge com vantagem estrutural. Sua operação central de buscas e publicidade permite introduzir gradualmente agentes mais sofisticados sem modificar profundamente sua arquitetura tecnológica. O domínio nas pesquisas iniciais de viagem, aliado ao volume de dados e ao alcance global, fortalece a capacidade da empresa de criar respostas mais completas no Search. Recursos que ajudam a montar roteiros, ponderar opções e aproximar o usuário de reservas de voos e hospedagem ilustram a direção dessa transformação.

As mudanças têm impacto direto sobre hotéis, companhias aéreas e OTAs, que podem perder visibilidade se não estiverem integrados aos sistemas utilizados pelos agentes. Para permanecer presentes no fluxo de decisão, é necessário oferecer dados atualizados, conexões seguras e capacidade de operar dentro de rotinas automatizadas. Iniciativas como o Universal Commerce Protocol indicam uma tentativa de harmonizar integrações, enquanto o setor se adapta a um ambiente em que o controle da interface inteligente pode definir quem cria valor nas próximas etapas da distribuição turística.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

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