Inteligência artificial redefine estratégias de visibilidade no setor de turismo mundial

Imagem criada por IA.

O setor de turismo mundial atravessa uma ruptura tecnológica sem precedentes. A forma como viajantes buscam informações mudou radicalmente, obrigando operadores turísticos e hoteleiros a abandonarem práticas consolidadas de marketing digital. Mais de 65% das buscas realizadas no Google desde o final de 2025 não geram cliques em sites externos, segundo levantamento recente. O fenômeno, batizado de Zero-Click Searches, representa uma ameaça concreta à sobrevivência de empresas que dependem do tráfego orgânico tradicional.

A ascensão de ferramentas como ChatGPT, Grok e Gemini transformou o comportamento do consumidor. Essas plataformas fornecem respostas completas sem direcionar usuários para páginas externas. Theodore Slate, especialista em tecnologia para turismo, alerta que "48% dos viajantes das gerações Z e Alpha utilizam inteligência artificial generativa para planejar viagens completas". A mudança não é gradual. Sites que não se adaptaram à nova realidade perderam quase 60% de visibilidade em menos de um ano. Em contrapartida, empresas citadas como fontes confiáveis por algoritmos de IA registram taxa de conversão 3,5 vezes superior aos cliques convencionais de SEO.

O turismo figura entre os setores mais vulneráveis à transformação. Diferentemente de produtos padronizados, a organização de viagens exige análise simultânea de múltiplas variáveis: transporte, hospedagem, condições climáticas e aspectos culturais. Enquanto o SEO tradicional trabalhava com termos genéricos como "hotel de luxo em Praga", a nova geração de buscas privilegia perguntas complexas, como "qual hotel ecológico em Praga oferece melhor custo-benefício em abril?". Empresas ausentes da base de conhecimento dos Modelos de Linguagem de Grande Escala enfrentam invisibilidade imediata. Projeções indicam que, até o final de 2026, companhias sem infraestrutura compatível com IA devem registrar perdas entre 20% e 35% na receita proveniente de canais orgânicos.

A solução passa pela construção de autoridade semântica através da estratégia GEO (Otimização para Mecanismos Generativos). Trata-se de estruturar conteúdo com tecnologias como JSON-LD e microdados, transformando sites em referências cognitivas para algoritmos de inteligência artificial. Empresas pioneiras na adoção do GEO relatam resultados mensuráveis: presença ampliada em resumos gerados por IA, redução de 15% no custo de aquisição de clientes e fortalecimento da confiança na marca. Usuários passaram a interpretar citações de IA como certificação independente de qualidade, criando um novo paradigma de credibilidade no mercado turístico.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

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