Protestos contra o turismo excessivo se intensificam em destinos internacionais diante da pressão sobre moradia e serviços locais

Imagem gerada por IA.

O turismo mundial registrou mais de 1,5 bilhão de hóspedes em estadias com pernoite no último ano, segundo relatório da ONU Turismo. O crescimento da atividade tem sido acompanhado por manifestações contra o “overtourism” (turismo excessivo), motivadas pela superlotação, pelo aumento dos preços, pela falta de espaço e pelos impactos na rotina das populações locais. Em algumas comunidades, a presença de nômades digitais também é vista como uma forma de pressão sobre a privacidade e o mercado imobiliário.

A Espanha está entre os países com maior número de protestos. O país recebeu mais de 100 milhões de visitantes estrangeiros em 2022. Em Ibiza, moradores bloquearam uma estrada e distribuíram melancias durante uma manifestação contra a concentração de turistas. Em Mallorca, residentes se sentaram em cadeiras dobráveis dispostas ao longo de vários quilômetros para representar a dificuldade de encontrar um imóvel em Palma. A mobilização foi acompanhada pelo slogan “Mallorca no limite”. Em Barcelona, moradores protestam contra a construção de um novo aeroporto com capacidade prevista para 70 milhões de passageiros por ano.

Em Lisboa, o aumento dos aluguéis provocou reações contra a compra de imóveis por investidores e a expansão dos serviços de hospedagem de curta duração. O preço de um quarto em apartamento compartilhado supera € 500, valor pouco acima do salário mínimo local. As autoridades estabeleceram que, em cada distrito, no máximo 10% dos imóveis podem ser destinados ao aluguel privado de curta duração, e cerca de 40% dos registros de imóveis voltados à atividade foram revogados neste ano. Na Grécia, mais de 25 mil moradores de Tessalônica participaram de protestos. Em Santorini, o número de turistas desembarcados de navios de cruzeiro foi limitado a 8 mil por dia, e novas construções hoteleiras foram proibidas.

As manifestações também ocorrem na França, na Itália, no Japão e no México. Em cidades francesas, moradores reclamam da ocupação das praias, da falta de vagas de estacionamento, do aumento dos preços e da expansão dos imóveis para aluguel de curta duração. Na Itália, jovens protestam contra o custo da moradia e os impactos do turismo sobre o patrimônio cultural. No Japão, foram instaladas barreiras próximas a um ponto de observação do Monte Fuji, enquanto o prefeito de Fujiyoshida anunciou o cancelamento de um festival de cerejeiras devido ao fluxo de visitantes. No México, protestos relacionam a presença de nômades digitais e a compra de imóveis por estrangeiros ao aumento dos aluguéis e à saída de moradores de suas áreas de residência.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem