Como a inteligência artificial escolhe sugestões de viagem e por que isso varia entre plataformas

Foto gerada por IA.

A inteligência artificial vem ocupando espaço no planejamento de viagens, especialmente entre turistas chineses durante o feriado de May Day. Em vez de recorrer apenas à pesquisa própria, usuários passaram a consultar grandes modelos de linguagem para escolher destinos, organizar roteiros diários e buscar hospedagem. O recurso já interfere na etapa inicial da decisão de viagem.

As respostas, porém, não seguem o mesmo padrão. Cada plataforma consulta fontes diferentes e aplica filtros próprios ao conteúdo disponível na internet. Em alguns casos, as recomendações partem de fóruns populares na Europa; em outros, de sites de avaliação mais usados na Ásia. O resultado é que uma mesma pergunta pode gerar sugestões distintas, mesmo quando o pedido feito ao sistema é semelhante.

Entre os modelos avaliados, o Doubao concentra suas respostas em fontes internas da ByteDance. Em consultas sobre turismo, o Douyin aparece em 97,7% das respostas e o Toutiao em 84,5%. Quando o usuário busca orientações mais específicas, a dependência dessas bases fica ainda maior, com o Douyin citado em 96,9% e 98,5% dos casos.

Outros sistemas seguem uma lógica mais aberta. Tongyi Qianwen e DeepSeek combinam referências de plataformas de reserva com conteúdos publicados por veículos de imprensa. Entre os serviços de viagem, o Ctrip aparece com frequência elevada em diferentes modelos. O DeepSeek também amplia o repertório ao incluir sites especializados em turismo, fóruns de discussão e bases de conhecimento de uso cotidiano.

A forma como cada modelo responde também reflete a origem das empresas que os desenvolveram. Plataformas nascidas em ambientes de vídeo curto e circulação rápida de conteúdo tendem a priorizar informações mais visuais e atualizadas. Já sistemas voltados ao planejamento prático recorrem com mais peso a dados organizados sobre rotas, preços e horários.

Apesar da expansão do uso, a confiança ainda não é total. Apenas 15,2% dos usuários dizem confiar o bastante em um plano feito por IA para concluir a reserva sem ajuda. Outros 66,2% voltam aos aplicativos tradicionais para confirmar detalhes antes de decidir. Em viagens, onde preço, risco e condição real pesam na escolha, a precisão da informação continua sendo decisiva.

O cenário aponta para uma disputa que vai além da velocidade de resposta. Tendem a ganhar espaço os sistemas que mostram suas fontes com clareza, comparam opções, expõem vantagens e limitações e oferecem alternativas de forma equilibrada. Por enquanto, a inteligência artificial já influencia o início da escolha, mas ainda divide espaço com a checagem feita em canais tradicionais.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

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