Crescimento do setor MICE desacelera com avanço do burnout e falta de profissionais

Imagem gerada por IA.

O setor de eventos corporativos mantém taxa de crescimento anual composta de 6,4%, o que reforça sua importância dentro da indústria de meetings, incentives, conventions and exhibitions (MICE). Estima‑se que milhares de eventos ocorram diariamente, sustentados por equipes responsáveis por organizar operações de diferentes portes. A ampliação dos formatos híbridos, surgida com força após a pandemia, elevou a capacidade de alcance dos eventos e ampliou as receitas provenientes de participantes presenciais e remotos.

Esse cenário, porém, contrasta com o aumento do desgaste entre profissionais do setor. Um relatório da Professional Convention Management Association (PCMA) aponta que mais de um terço dos organizadores de eventos declarou estar “exausto e esgotado”. Um estudo de 2023 da The Culture Collectors indica que 79% da força de trabalho do setor considera suas funções mais estressantes do que em anos anteriores. Atualmente, a área de MICE aparece entre as ocupações mais estressantes, atrás apenas de funções militares e de cuidados médicos domiciliares.

A crescente pressão ajuda a explicar a rotatividade da equipe. A empresa britânica Goho informa que 42% dos profissionais deixaram seus cargos, citando aumento da carga de trabalho e estresse constante. Outros 28% afirmaram que a falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional contribui diretamente para o burnout. Há também relatos de profissionais que comparecem ao trabalho mesmo doentes para garantir cobertura nas operações dos eventos, prática que agrava o adoecimento físico e emocional.

Durante o BE @ Penang 2025, o médico Prem Kumar Chandrasekaran alertou para os impactos desse comportamento. Na palestra The Unbroken Wave: Mastering Boundaries and Workload to Future-proof Mental Health, defendeu a necessidade de preservar a saúde mental e física por meio de limites claros. Entre as medidas sugeridas estão períodos adequados de descanso pós‑evento, redução de agendas consecutivas, automação de processos, análises posteriores às operações e reconhecimento da capacidade real das equipes. Segundo ele, adotar essas práticas é essencial para manter a sustentabilidade das empresas do setor.

Fabiano Vidal

Técnico em Turismo, Turismólogo, Jornalista, Especialista em Marketing e Publicidade, autor do livro "Do Tambaú ao Garden - A História Moderna do Turismo da Paraíba", agraciado com Voto de Aplausos e a Medalha de Mérito Turístico 2008, ambos concedidos pela Assembléia Legislativa da Paraíba.

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